A força do Sim

 

Os servitas fazem o bem em silêncio e docemente, prestando assistência material e espiritual aos peregrinos do Santuário de Fátima. São homens e mulheres que perguntam a cada momento o que Nossa Senhora quer deles. Dizem o seu "sim", como fez Maria... porque também ela foi "serva do Senhor".

Servir. Eis um verbo que é um programa de vida. É assim que os Servitas de Nossa Senhora de Fátima encaram a sua ação. Eles, que também são peregrinos, têm como missão acolher os peregrinos de Fátima. Maria é a mestra que os ajuda a responder aos apelos que lhes são dirigidos. A mensagem de Fátima é a bússola que os norteia no serviço de cada dia.

Facilmente identificamos os servitas no santuário. Os homens têm as correias (no passado, as correias serviam para facilitar o transporte das macas) e as mulheres a farda branca, o véu e a Cruz de Cristo. É gente proveniente de todo o país (há também já alguns espanhóis) e até do resto do mundo (muitos estão na diáspora e usam alguns dias das suas férias em Portugal para estarem ao serviço do santuário).

Lavam os pés aos peregrinos, dão água aos que têm sede, ajudam os que fazem as promessas de joelhos, dirigem a bênção dos doentes e as procissões. Os servitas estão presentes em Fátima nas peregrinações aniversárias de maio a outubro, em todos os fins de semana de maio a novembro e nos retiros de doentes organizados pelo santuário. Um serviço que se prolonga há precisamente 90 anos. No próximo dia 12 de junho, os servitas assinalam a celebração oficial do 90.º aniversário.

Em 1924 foi criada a Associação dos Servitas de Nossa de Fátima pelo bispo de Leiria, D. José Alves Correia da Silva. Foi o primeiro corpo de voluntários a prestar serviço em Fátima ainda antes do reconhecimento das aparições. Hoje, esta associação pública de fiéis tem cerca de 450 membros. A média de idades dos servitas ronda os 45 anos. A formação é de cinco anos. Parece um tempo longo, mas há uma explicação: «Existe uma equipa que faz a triagem dos candidatos. Há os que pensam ter vocação e depois de começarem a trabalhar connosco percebem que não a têm», diz José António Santos, 64 anos, presidente da associação.

Cada servita tem de estar disponível em três peregrinações por ano e num fim de semana ou retiro de doentes. Trata-se de uma entrega que exige um compromisso de grande responsabilidade. Por ano, cerca de dez pessoas fazem a "promessa dos novos" para serem admitidas nos servitas. São homens e mulheres de todas as profissões, casados ou solteiros, leigos ou religiosos, que estão dispostos a oferecer-se a Deus, servindo os peregrinos.

José António Santos sente-se diariamente interpelado pela Mensagem de Fátima (oração, penitência e conversão) – mas reconhece a dificuldade que todos temos em realizar os pedidos de Nossa Senhora: «Ela desafia-nos em muitas coisas e deixa-nos também parados em muitas outras. Não consigo cumprir a Mensagem de Fátima como gostaria. Para nós, cristãos no mundo de hoje, é muito difícil o caminho para a perfeição», admite o presidente dos servitas que acrescenta, no entanto, que a santidade perfeita só existe no Céu. «Digo-lhe tantas vezes: faz de mim o que quiseres», conta. Ele e os outros servitas interrogam-se em cada pensamento, palavra, ato e emoção se estarão no caminho certo: «É isto que Nossa Senhora quer de mim?»


Sílvia Júlio (Família Cristã)


<<Voltar